Sintomas neurológicos crônicos após a COVID-19

Postado em: 14/08/2025

Muitos já até se esqueceram da pandemia de COVID-19, porém, muitos ainda sentem alterações no corpo decorrente da infecção do passado.

 Sintomas como dor de cabeça frequente, alterações cognitivas, perda de olfato e dor crônica continuam a fazer parte da rotina mesmo após tanto tempo.

Esses sintomas são reconhecidos como parte do que se chama de síndrome pós-COVID ou COVID longa, um conjunto de manifestações que persiste ou surge após a infecção inicial, muitas vezes interferindo na qualidade de vida.

Cérebro mais lento: a “névoa mental”

Muitas pessoas relatam uma sensação de lentidão para pensar, esquecer palavras, perder o foco ou ter dificuldade para se concentrar em tarefas simples. É o que popularmente ficou conhecido como “brain fog” — uma espécie de nevoeiro mental.

Isso pode acontecer mesmo em casos leves de COVID-19 e não tem relação direta com idade ou gravidade da doença. Acredita-se que fatores inflamatórios e alterações neuroquímicas estejam envolvidos nesse processo.

Perda de olfato e paladar que não voltam como antes

A perda do olfato (anosmia) foi um dos sintomas mais marcantes durante a pandemia. Para a maioria, o sentido volta com o tempo. Mas em alguns casos, ele retorna de forma distorcida (tudo cheira “estranho” ou “ruim”) ou não retorna totalmente, o que pode afetar o apetite, a memória olfativa e até o bem-estar emocional.

Cefaleia persistente

Pessoas que nunca tiveram dor de cabeça antes passaram a conviver com episódios frequentes após a infecção. Quem já tinha enxaqueca ou cefaleia tensional pode perceber piora na frequência ou intensidade. Essa dor pode ser reflexo de processos inflamatórios, distúrbios do sono ou estresse pós-doença. Mas com tratamento direcionado para o padrão de dor, conseguimos melhora significativa da cefaleia.

Dor crônica: um novo desafio

Outra queixa crescente nos consultórios é o surgimento ou agravamento de dores musculares, articulares ou neuropáticas — dores que “queimam”, “pinicam” ou formigam sem causa aparente. Isso pode estar ligado à sensibilização do sistema nervoso, que passa a reagir de forma exagerada a estímulos comuns.

🧩 Por que isso acontece?

Ainda estamos aprendendo sobre os efeitos neurológicos da COVID-19 a longo prazo. O que se sabe até agora é que o vírus pode impactar o sistema nervoso central e periférico, diretamente ou por mecanismos inflamatórios indiretos. Além disso, o impacto psicológico da pandemia também contribui para agravar ou prolongar sintomas físicos.

Quando procurar um neurologista?

Se você tem sintomas que comprometem sua qualidade de vida, sempre é um motivo para procurar ajuda.

Apesar de muitos estudos ainda serem conduzidos, ainda não temos a maioria das respostas, mas existem formas de investigar, tratar e reabilitar muitos desses sintomas — e o acompanhamento adequado faz toda a diferença.

Dra. Tamara Pereira – Neurologista

CRM-SP: 183.780 | RQE: 91.010 / área de atuação 910101 – Dor


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