Dor de cabeça em viagem de férias? Confira quais situações podem contribuir
Postado em: 14/08/2025
Pra mim, viajar é uma das melhores coisas da vida — conhecer lugares novos, sair da rotina, viver experiências diferentes. Mas… alguns pacientes podem ter o inconveniente de experienciar mais dor de cabeça em algumas situações, como eu mesma já tive. Quando fui ao Chile, no deserto do Atacama, tive cefaleia de altitude. Também já tive alguns episódios da própria enxaqueca após alguns mergulhos.
Vou comentar um pouquinho sobre algumas possibilidades.
Cefaleia de altitude
Ao subir montanhas, visitar cidades em grandes altitudes, pode surgir uma dor de cabeça característica, chamada cefaleia de altitude.
Ela acontece porque o ar mais rarefeito tem menos oxigênio, o que afeta a dinâmica da circulação no cérebro. Costuma ser uma dor latejante, pior com esforço físico, e pode vir com enjoo, tontura e cansaço.
Como evitar: subir aos poucos, hidratar-se bem, descansar e, se necessário, usar medicamentos preventivos (com orientação médica).
Cefaleia induzida pelo frio
Sabe aquela dor de cabeça repentina ao tomar algo gelado ou enfrentar um vento frio no rosto? Isso é conhecido como cefaleia do frio, e pode acontecer em viagens a destinos de inverno, em trilhas de montanha ou até mesmo ao nadar em águas muito frias.
Ela costuma ser breve, mas intensa, localizada na testa ou têmporas.
Como evitar: proteger a cabeça e o rosto com gorros ou cachecóis e evitar exposição direta ao frio intenso. Evite bebidas muito geladas em jejum ou após esforço.
Cefaleia pelo calor ou insolação
Destinos muito quentes e ensolarados podem causar dor de cabeça por vários motivos: desidratação, exposição prolongada ao sol, aumento da temperatura corporal e até mesmo alterações na pressão arterial.
É comum sentir uma dor difusa, com sensação de peso ou pressão, acompanhada de cansaço e mal-estar.
Como evitar: beber bastante água, usar chapéu/boné, procurar sombra e evitar o sol intenso.
Cefaleia após mergulho
Mergulhadores podem experimentar dor de cabeça após atividades subaquáticas. Isso pode estar ligado ao uso do equipamento (máscara apertada), esforço físico, mudanças de pressão ou, em casos mais raros, sinais de complicações como barotrauma.
Como evitar: ajustar bem o equipamento, manter uma boa técnica de respiração e evitar mergulhos prolongados ou em profundidades extremas sem preparo adequado.
Outras causas comuns nas viagens
Além dessas, outras dores de cabeça podem aparecer:
- Mudança de fuso horário e sono irregular (alteração no ritmo do corpo);
- Cansaço extremo em roteiros muito corridos;
- Jejum prolongado ou refeições irregulares;
- Cheiros fortes (perfumes, produtos de higiene, combustíveis);
- Estresse e ansiedade (mesmo em viagens de lazer!).
Quando procurar ajuda?
Se a dor de cabeça for intensa, persistente, diferente do que você está acostumado, ou vier acompanhada de sintomas neurológicos (como visão turva, confusão, dificuldade para andar ou falar) ou febre, procure um serviço médico imediatamente.
Se tiver dúvidas ou receios antes de uma viagem, especialmente pra quem já faz acompanhamento neurológico, converse com seu médico.
Dra. Tamara Pereira – Neurologista
CRM-SP: 183.780 | RQE: 91.010 / área de atuação 910101 – Dor
